Beleza

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segunda-feira, 15 de agosto de 2011

O Quarto

Mãos cansadas sobre travesseiro, onde pairavam á penumbra, uma vontade de contar-lhe. Quem havia de escutar os sussurros ou a mente inquieta?

As paredes expandiam-se no olhar de um madrugador. Há tempos não madrugava e por conseguinte, não corria meus dedos pelo teclado á contar-lhe um devaneio.

O quarto baforava hálito de musgos e de queijos jogados ao chão, fazia-me de triste canção mutante, à complemento de uma imagem, haja vista á televisão!
Uma ponta de tristeza abatia-me, porém com uma centelha de chamas a abrandar toda penumbra, e um ser existente em um quarto.

Pontas de tristeza aparada com uma lápide escrita, "Em memória de..." e um lápso por vir... Fascínio costumeiramente roto ao entardecer.

Sei que há de vir grandes aspirações antes do entardecer, mas vagueando entre linhas, vou lhe dizer, do princípio noite, ao raiar do dia!

As nuvens de novembro estavam anunciando o fim do dia. Tantos dias e tantas noites semi-nuas em uma frase. Tempestades e rajadas de ventos. O céu caía e chorando eram respingos em minha roupa. As noites se tornavam mais cinzas do que o costumeiro. Concretos arranha-céus, antes vestido de noiva, agora completando as bodas...

Lindos dias, lindas noites! Há quem prefira ficar no quarto, se enbebedando de uma tristeza, o solitário. Quem diria o digital ou o virtual, você está aí?

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Almas Ardentes

Por ventura, reclinei-me na mureta, cadeira invisível, e no balançar de minha infância, embalei-me à repousar em tua cama.

Entre um gole e outro, borbulhava-me, à refrescância que de minha boca saía. Estava disposto a aventurar-me nas tuas palavras, firmes e fortes, habilmente proferidas no íntimo de um olhar desnudo. A sede de vida ainda era forte e teu seio cabia-me, ou o que de meu olhar a faria!

Nutria-me de teus odores, camuflados em essências perfumadas de óleos, sedosa pele, escorria por entre lábios a minha fruta favorita.
Tateava teus pés e nelas as tuas andanças, meus dedos a percorrerem a tua face num encontro de lábios, culminando em conchinhas...

Pensava possuir mares enquanto eles ainda eram infinitos, finito, passei a admirar o céu porque ainda não me haviam dito que eles eram finitos.
Céus que adquiriram uma pluralidade porque de vários ângulos os vi e eles, diferentemente, faziam-me pensar às estrelas.

Pensamentos distantes, mas perto estávamos nós, para com ternura, dizermos um para o outro. Te amo! Diziam teus olhos, no teu olhar lançado! Não cabia palavras dizíamos e ou imaginávamos. Entre olhares... Sorrisos.

Meneava teus cabelos, teus loiros, cacheados, meus desejos... Ruivos e curtos, o seu desejo era meu desejo!

Pairava pensamentos planejados à dois. Confidências, juras de amor eterno! Ja diziam os poetas, clemência às juras eternas!

De que vale os sentidos, se não pudermos experimentá-los e, no libertar de corpos, arder nossas almas, unindo-nos á nossa paixão!

Dedicado á Marcela Gironi Calsavara.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Conversas com meu outro eu

Passaram-se dias, esses que entreguei-me em frações, e por inteiro, vi-me nos teus braços os afagos que eu queria. Desejos mergulhados em corpo, mas compreendidos no raciocínio lógico, os ideais em que fui forjado.

Lanças apoiadas em salva-guarda, os escudos que supostamente me protegeria. Não pensei que fosse tão fácil desvencilhar-me de mim mesmo ou de meus ideais egocêntricos... Nunca fora auto-sustentável!

Ainda tenho meus prazeres, viagens noturnas adentro, as estrelas dormem e eu, no infinito dos meus sonhos.

Prazeres solitários rejuvenescem meus sorrisos, porque o princípio dos meus sorrisos dorme, mas meu eu bobo continua a pensar em você. Reclinado sobre uma cadeira de praia, te vejo desenhado no céu juntamente com minha plenitude. Minha plenitude nunca fora tão real e o céu nunca tão finito, pois todas as estrelas culminam em você e consigo, todos os meus pensamentos.

Entre magias e bruxos, histórias contadas para crianças, nem tão criança assisti pasmo as histórias contadas para adultos, mas meu eu não ficava mudo, pois eu tinha você para compartilhar tudo.

Os dias passam, mais que depressa, sinto-me envolvido na tua história e as nossas construidas sobre bases sólidas.

Te vi insegura, rosto fechado, e meu vazio se dissipava com um sorriso, dizendo-te, tudo bem? Parabéns pelas suas conquistas, eu te admiro! Pontas de ciúmes aparadas pelas nossas conversas adocicadas e a delicada não era eu, era você! Eu também? Sorrisos...

Cumplice da mesma dor, os medos ultrapassados transformavam-se em sorrisos. A glória vinha depois de um café da manhã e na frase solta, eu te adoro... Me amas?

Fascinado porém não querendo tropessar em meus passos largos, curtos, já viramos a sensação nas bocas alheias. Quem liga... Importa? Interrogações e várias retóricas. Eu te amo?
Você sabe o quanto te adoro... Só? Precisa dizer? Sempre! Te amo e te adoro para sempre!

Quando pensares em mim, diga oi e eu lhe direi olá.
Quando estiveres triste diga, oi, vamos conversar?
Quando estiveres feliz, deixemos estar.
Quando estivermos sozinhos, eu estou pensando em você!
Sorria, seja feliz, que eu sempre vou estar!
Ao seu lado, sempre!


Dedicado para Marcela Gironi Calsavara, com carinho e admiração.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Mutável

Confundo-me aos dias, esses que me consomem por completo por acreditar que sou mutável...

Dias completos, fracionados pelas circunstâncias... Pessoas completas fracionadas pelo acaso. Não é pelo triste acaso que moldo-me a você, porque das tristes lembranças, você me viu nú e acreditou que era real.

Escorria pela tua boca, toda e qualquer defeito que eu fizera transparecer.
Por querer te conhecer, horas decepcionava-me, mas reconhecia-me no teu olhar e estes eram muitos... Muitas vezes queria gritar por não saber chorar, e ou, chorar porque gritavas. E eu sentia-te, doce e sutil, pessoa indelicada, porém sincera!

Carinhos recíprocos que eu sentia a toda hora e as horas passavam e os carinhos tranformavam-se em abraços e estes, ainda melhores, em conversas!

Triste, ensaiava meus primeiros versos e das nossas conversas, ensaiava o além de uma afinidade, porém ainda sem nome...

E a amizade gritava dentro de mim e a saudade não cabia dentro do meu peito... O silêncio compreendia-me e eu em espera tornei-me o paciente. Respirei profundamente por alguns dias e percebi que faltavam-me partes essenciais, partes que tu roubaras de nossos momentos à dois.

Percebi que do triste acaso, dentro de pessoas fracionadas e em dias fracionados pelas circunstâncias, compreende àquelas que vão além e esperam mais das pessoas, tornando-se especiais por acreditarem que somos mais do que possamos ser. Sinceras e confidentes do incomum, somos os nossos sentimentos em deveras mutáveis.

Somos a reciprocidade de nossos atos. Tornamo-nos à quem nos espelhamos, atraídos pelo mistério de encontrar-se noutro alguém, opiniões contrárias porém mesmos ideais. Pessoas que admiram-se, não importando o lugar, nem tão pouco o momento, apenas valorando os sentimentos.

E no íntimo, apenas queremos dizer: Olá, eu estou aqui! Como é bom estar com você!
Acalento a minha existência com um boa noite... Te adoro!

domingo, 12 de setembro de 2010

Percepções


Deitado repousava meu corpo e no olhar profundo com a janela da minha alma, refletia no céu as estrelas e ou vice-versa nas mesmas. Um jogo de luzes que não terminava na íris de meus olhos, porque a triste melodia que compunha a cena, fazia com que minha alma dançasse a fria liberdade... E eu respirava-a, assim como nas raras vezes em que acordamos antes mesmo do sol nascer. 

E eu madrugava olhando as estrelas e imaginava a tua face nascendo do perfeito... Utopia. Quem te conhece, sabes do teu lado imperfeito que cativas... Horas "perdidas" pensando no teu agrado, porque imaginar você, acaricia minha existência... Imagino que no fundo, essas horas se transformem na minha complexa lucidez e imaginar nós dois juntos onde a amizade coexista com a paixão e a paixão culmine na cumplicidade do amor, não é irreal. Sei que ambos os sentimentos coexistem e eu penso nisso, pois, meu desejo sombrio de lhe cortejar, guarda consigo a esperança de trafegar por entre seus pensamentos, a toda hora, sem acabar com um boa noite, te adoro!

Eu sou teu amigo distante, trocando "correspondências" mantendo um vínculo com tua vida, a esperar tua resposta ou qualquer outro tipo de mensagem, onde, até mesmo um sinal de fumaça me faria feliz, pois sou um pobre desiludido da vida e esta não merece nenhum outro tipo de reflexão profunda!

Na insólita embriagues e ou na sonolência devaneadora de um só acorde, havia espaço para esse tipo de reflexão, mais parecida com um vislumbre ou um presságio de que bons ventos soprariam e desanuviariam o céu para que meus olhos pudessem enxergar-te claramente. Bastava um olhar teu, que no relance dos meus repousara, para que meu coração galopasse em campos infinitos da felicidade... Meu vício, meu castigo, que me leva a atos insanos. Essa é a minha crueldade, castigar-me ao imaginar-me em teus braços e em tuas palavras sonhar com teu corpo!

Suas palavras serpenteiam meus sentidos e eu sinto o teu prazer invadindo meus lábios, transformando-se em sorrisos involuntários... Sou sorrisos roubados de teus versos "rabiscados" e reescrevo tuas palavras em meu coração para poder sentí-la. O meu corpo a pulsar tua vida, faz-me a querer que estas tenham sentido para a tua percepção.

Minhas percepções são um mártirio para teu olhar, palavras minhas, mas para mim é um contexto para um flerte amigo.  Na estrada da ilusão, o meu fascínio é um delírio para a realidade e um caminho para teu coração.

para Sandra Petry, com carinho e admiração.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Vaidade


Estava debruçado em minha almofada, envolto na quentura do meu cobertor. Era inverno e podia sentí-la em meus pés. E essa noite fria abrigava-me, e também aos meus sentidos, todos ligeiramente aguçados aos contrastes de silêncio e de pequenas vibras a percorrerem o suntuoso caminho até meus sentidos.
Sozinho tentava compreender-me, mas era difícil, pois havia dor em minhas palavras, que confundiam-se às dores físicas, e através da minha alma e escrita, meu ego liquefazia-se.

Uma insatisfação momentânea possuía-me, levando-me ao passado em tristes reminiscências. Eu forçosamente tentava reestabelecer algum vínculo com o futuro e traçar um novo caminho, no entanto, minhas lembranças estavam rasgadas e aos pedaços. Estavam jogadas sobre a mesa de estudos! Ao lembrar-me não conseguia ficar indiferente, pois nada era impessoal!
Estava há muito tempo à procura de algo novo, mas temerosa aos olhares alheios, me criei sob cadafalso e não havia para onde correr, pois estava sentenciado e sob o domínio da vaidade, meu demérito e do que restara do meu ego.

Tentava manter-me sobriamente, mas estava embebido em ares de sonolência. Vagava-me nas palavras escritas que escorriam em canto de minha boca, deixando minha garganta seca. Bebericava de outras palavras nascidas na penumbra e no vislumbre de algumas frases mágicas. Tentava-me renascer no fogo do redescobrimento... Inutilmente! Em minhas mãos estavam algumas evidências de um crime cometido, e restara-me o recobrir das forças, recompondo-me das palavras perdidas.

Alguns barulhos brotavam do lado de fora e vibravam ao meu redor, compondo uma sinfonia funesta. Era o som que nascia no coração da cidade, a vida crescente em momentos noturnos que fazia-se na alegria, o simples ato da sede satisfazer-se e o desejo de redescobrir-se no seu semelhante. Formava-se a simples e complexa cidade, ato de respirar o brilhante sob a luz do sol!

Despertava a manhã e consigo a vaidade, determinando novamente a sociedade "Narciso-Darwinista!" Crítica? Elogio? Sociedade!

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Beleza triste, lágrimas


Estava sentado em uma banqueta. A noite era fria e não haviam estrelas, algumas nuvens deixavam o azul do céu desbotado.

Olhava para o distante e o distante mostrava-me em amargor.
Escorria em minha face, toda prepotência, e sobre elas, deixava-me escorrer também.
Lânguido, deixava partes de mim desprender-se de meus olhos em sôfrego suspiros. Minhas mãos tremulas pendiam involuntariamente ao alto da face, onde elas dormiam, todas lindas e belas, as minhas emoções.

Escrevia algumas falas cansadas do alto da minha cabeça e haviam muitas delas tiradas no escuro. Conversava com paredes, meu eu mudo, mas não tão louco escutava também as estrelas.

E diante desse céu anuviado, havia àquela que escutava-me e em segredo admirava-me e podia-se ver esperança em meu olhar, confundindo-se paixões às estrelas.

Ouvia o silêncio distante das ruas e em tráfegos civilizados, iluminados por faróis, era o reflexo celeste ou a simples, chão de estrelas.

E diante dessa magia a tilintar em meus olhos, sentia-me único e lúcido.

Solitário, escrevia para as estrelas e elas correspondiam-me, brilhando para dentro de meu olhar, lágrimas. Reflexo de uma beleza triste. Estrelas minhas...

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